Início das Obras

 

As obras da rede de esgoto tiveram início em outubro de 1912, sob a orientação do engenheiro Antônio Lamy e fiscalização do engenheiro Octacílio Pereira, com algumas alterações no projeto do Engenheiro Civil Alfredo Lisboa. Foram feitas mudanças nas locações dos coletores a fim de harmonizar o projeto com os interesses da Companhia de Bondes que estava substituindo os bondes de tração animal por bondes elétricos.

A partir das obras de esgoto foi adotado uma medida geral para os proprietários de novos quarteirões, eles deveriam deixar uma faixa de dois a quatro metros de largura a frente de suas residências para a abertura das vielas (valetas) sanitárias.

Enormes foram as dificuldades encontradas para a construção da rede de esgotos, devido a grande quantidade de água no subsolo a esgotar-se que as bombas não davam vencimento, bem como os prejuízos no escoramento, que sofreu, por vezes, desmoronamento. Essa rede abrangia entre as ruas Manduca Rodrigues (atual Professor Araújo) e Almirante Barroso e entre a Zona da Luz (atual Rua Rafael Pinto Bandeira) e Conde de Porto Alegre.

Para o desenvolvimento das obras, foram criadas as oficinas e fábricas de cimento armado e betume, carpintaria e ferraria, também usou-se uma britadora e compressor locomóvel da Intendência, para fazer pedra britada. O transporte dos materiais para o serviço era feito com nove carroças e posteriormente foi utilizado um caminhão Saurer.

Em 14 de maio de 1913, foi reincidido o contrato com firma H. B. Reissner pela impossibilidade desta cumprir o contrato, ficando as obras por conta da Municipalidade, que reiniciou-as em 28 de junho. Trabalharam nas obras de esgoto os engenheiros Benjamin Gastal, José Avancini, Angelo Martinelli, Trajano Ribeiro, Felipe Osório e Hugo Veiga.

Primeiras ligações

Em 2 de maio de 1914, com as obras de esgoto bastante adiantadas foi publicado um edital de intimação para as primeiras ligações, na qual o proprietário dos imóveis situados dentro do perímetro urbano, nas ruas onde houvesse canalização de água e esgoto era obrigado a comparecer a Seção de Águas e Esgotos apresentando seu requerimento de instalação da rede de esgoto.

Caso não o fizesse dentro do prazo estipulado ficaria sujeito ao pagamento de taxas e teria de fazer a obra por conta própria. Os pelotenses acolheram a intimação com boa vontade. As obras de esgoto foram concluídas em 09 de abril de 1915, com 39.980 metros de rede.

Usina Elevatória de Esgotos

Em novembro de 1913 foi chamada a concorrência para apresentar as propostas para a construção da Usina Elevatória de Esgotos (Rua Almirante Tamandaré), após o julgamento optou-se pelo projeto dos Senhores Gastal, Vaz & Cia. As obras começaram em março de 1914 e teriam um prazo de cinco meses para conclusão. O edifício consistia de três partes, a casa do maquinista, a casa de bombas e as câmaras e ante-câmaras, para sua construção empregaram-se blocos de cimento fabricados na oficina da Intendência. A chegada das máquinas para a casa de bombas atrasou devido a guerra Européia. A montagem da Usina esteve a cargo dos engenheiros João Gabriel Ubatuba e Edmundo Gastal. A linha de recalque da Usina Elevatória até o São Gonçalo foi concluída em agosto de 1914.

A inauguração ocorreu no dia 20 de setembro de 1915 com a presença do Intendente Municipal Cypriano Côrrea Barcellos e dos conselheiros municipais. O chefe da casa de máquinas era o Sr. Marasciulo Cosmo.

Regulamento Sanitário

Em 18 de novembro de 1913, foi aprovado o ato 718 que dispunha sobre o Regulamento Sanitário e em 24 de Setembro de 1915, pelo ato 771, este Regulamento sofreu algumas modificações.

Com 144 artigos e 15 páginas, o regulamento tratava sobre a rede de esgotos, as canalizações, os aparelhos essenciais as latrinas, o caso dos hotéis, restaurantes, cafés e assemelhados e o abastecimento de água.

Segundo o Regulamento Sanitário, cada proprietário de imóvel teria de instalar um sanitário num cômodo de alvenaria, sem ligação com a cozinha ou com os dormitórios, deveria ter um meio de fechamento conveniente e uma abertura com ventilação direta para o exterior. O piso seria revestido de material liso e impermeável. Cada instalação sanitária deveria possuir uma Water-closets (privadas ou latrinas) e um mictório de material resistente, superfície lisa, polida, impermeável e cor clara, sem revestimento de alvenaria ou madeira, com caixa de lavagem de capacidade de 9 a 12 litros, com altura de 1,88 a 2,50 metros de altura acima do aparelho. Para as pias e lavatórios deveria haver uma caixa de escoamento de água com ralo.